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Dependência Criativa

Oi pessoal! Você já pensou que o seu bloqueio criativo na verdade pode ser uma dependência criativa? Vem comigo que eu explico melhor! É importante salientar que esse post não é um post científico e sim uma reflexão que fiz nos últimos dias e que convido vocês a fazer também. Se você está lendo esse post, é porque trabalha com criatividade. Seja ilustrando, criando estampas, artes ou design em geral. E eu tenho certeza que em algum momento você já se sentiu travado na hora de criar. Você senta, pega seu material de criação favorito e não sai absolutamente NADA!

Quem está nessa jornada há mais tempo, sabe que esses períodos de bloqueio são completamente normais. Não porque nossa criatividade acaba, esgota. Mas sim porque ela também depende de outros fatores que podem estar além do nosso controle.


Apesar de não ser uma chavinha liga/desliga, quando trabalhamos CLT, por exemplo, podemos não ter a opção de curtir um ócio criativo e acabamos pressionados a criar mesmo sem estar "no clima". Com o passar do tempo, entendemos as causas desse bloqueio e, principalmente, gatilhos que podemos usar para contornar essa "falta de criatividade" e conseguir fazer, pelo menos, o mínimo dentre as atividades que precisam ser feitas. É de extrema importância observarmos o nosso comportamento, nosso modus operandi, o que alimenta nossa criatividade - ou o que a drena. É fundamental sair do modo automático e estar sempre atento as nossas ações e reações do corpo e da mente. Se eu me sentia criativa ontem mas não me sinto hoje, o que mudou? O que eu fiz ontem que me deu ânimo para criar? Antes de falar sobre dependência criativa, vou voltar em três definições que acho que já comentei antes em algum lugar: motivação, inspiração e referência. Motivação são fatores mais concretos que te fazem sair da inércia. Pra mim, não tem motivação maior pra sentar a bunda na cadeira e trabalhar do que os boletos chegando diariamente. Inspiração segue o mesmo raciocínio porém de forma intelectual. É algo que faz o seu cérebro querer sair da inércia. É uma música que você ouve, uma série que você vê, uma arte de alguém que te motiva intelectualmente a querer criar também e não precisa ter relação direta com o que você vai fazer. Já a referência, é uma espécie de norte para o que você precisa fazer. Por exemplo: você quer desenhar um lobisomem. Então é natural usar fotos de lobos e de homens para conseguir criar um. Voltei nessa explicação porque nossa criatividade está diretamente ligada a esses 3 fatores. É preciso que você tenha esses três estímulos para conseguir começar a fazer essa engrenagem da criatividade funcionar. (Fora outros fatores pessoais também) O nosso repertório é um grande aliado na hora de criar quando não nos sentimos criativos. Sendo bem sincera, se eu fosse trabalhar apenas durante esses picos de criatividade, eu trabalharia umas duas horas por semana. Porém, ter um repertório visual na minha cabeça, de momentos que vivi, artes que já vi, lugares que conheci, flores que fotografei, estampas que acho incríveis e por aí vai me ajuda muito a me manter criativamente ativa. Agora, é preciso refletir: além desse repertório de lembranças você depende de estar olhando alguma coisa para criar? Se a resposta for sim, isso pode ser um problema. Quando a gente tem esse repertório visual na memória, é bem interessante porque por mais que você seja muito bom em lembrar de detalhes, a sua mente não vai conseguir lembrar de tudo tal qual você viu e, na hora de criar, você vai misturando todos esses fragmentos de memória para fazer algo novo. Já quando você precisa única e exclusivamente de olhar para alguma coisa pra conseguir fazer um trabalho, você pode estar criando uma relação de dependência que vai minando a sua habilidade de criação.


Vou contar uma história que aconteceu comigo pra ilustrar isso pra vocês. É algo que não me orgulho muito mas que também não escondo porque, infelizmente, faz parte da realidade de muitos.


Quando eu trabalhava pra uma empresa X, meu trabalho era basicamente copiar estampas. Copiar mesmo, literalmente. Eram raros os momentos de criação. Eu "fazia" muuuuuitas estampas por semana. Mas todas eram cópias. Na época eu não tinha escolha porque precisava manter meu emprego (já contei aqui que "secretamente" avisava os donos das artes originais, né?). Enfim, essa problemática é assunto pra um outro post. A questão é que eu passava a maior parte do meu tempo copiando e não criando. E, quando chegava em casa, pra fazer o meu próprio trabalho, eu não conseguia criar. Minha cabeça e minha memória muscular estavam completamente dependentes de copiar alguma coisa. E isso começou a me incomodar profundamente. Copiar estampas foi um dos motivos que me fez pedir demissão. E depois que eu já estava em casa, livre pra criar, foi uma longa jornada até conseguir largar essa espécie de "vício". Uma das coisas que me ajudou - e me ajuda até hoje - é não manter referências abertas enquanto estou fazendo um trabalho. Eu até posso buscar por essas referências, olhar bem pra elas. Mas na hora do vamos ver, não abrir nenhuma - exceção para referências de poses porque ângulos de corpo podem ser realmente difíceis de representar de memória. Agora, referências estéticas, essas não. Fechadinhas. E sim, é difícil mesmo. Criar não é algo fácil mas que pode se tornar menos doloroso com o passar do tempo e com os estímulos certos. E não me entendam errado, você pode sim olhar pra suas referências. Só não deve se esquecer que elas são apenas referências e não um gabarito do que deve ser feito. Como já disse, o tempo e a prática vão tornando as coisas menos complicadas. Se você imaginar uma flor (com base nas imagens de flor que você tem aí na sua memória) e desenhar ela hoje, desenhar ela de novo amanhã, e depois, e depois... vai ficando cada vez mais fácil. Chega um ponto em que você vai ter criado tanta coisa, que os seus trabalhos anteriores vão ser a sua principal referência. Enfim, escrevi tudo isso sem ter uma fórmula, dicas ou uma conclusão para o assunto. Apenas gostaria de compartilhar essa reflexão com vocês para que possam observar o seu comportamento criativo e a sua relação de dependência (ou não) em olhar para alguma coisa para conseguir criar outra. Apesar da observação ser uma aliada da criação, uma não deveria depender (exclusivamente) da outra. Me conta: qual sua relação com as suas referências? Atualmente, você depende de estar olhando algo para criar?

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